Entre os produtos mais nocivos não estão apenas o álcool – também podem prejudicar este órgão o excesso de ferro, a frutose de produtos sem açúcar e vários suplementos dietéticos, que são muitas vezes posicionados como meios para limpar o fígado, disse RT gastroenterologista, hepatologista, candidato a ciências médicas Sergey Vyalov.
O álcool continua em primeiro lugar em termos de danos no fígado. De acordo com o médico, muitas pessoas subestimam este fator, não se apercebendo da quantidade de álcool contida numa determinada bebida. Para os homens, a dose normal habitual é de 30-40 ml de etanol, para as mulheres – 25-30 ml. A quantidade de álcool contida numa bebida pode ser calculada multiplicando o volume bebido pela percentagem de teor alcoólico.
Em segundo lugar em termos de perigo para o fígado está a frutose, contida em produtos sem açúcar.
“A frutose não sofre qualquer transformação no organismo e, no fígado, é imediatamente convertida em gordura, pelo que, quanto mais ingerimos frutose, mais contribui para a obesidade hepática”, explica o hepatologista.
Além disso, muitos suplementos alimentares que são vendidos ostensivamente para limpar o fígado, bem como ervas – como a erva de São João, por exemplo – podem causar sérios danos, acrescentou Vyalov. Além disso, segundo ele, a saúde do fígado é afetada pelo estado do intestino, uma vez que a sua microflora segrega diferentes substâncias que podem apoiar o fígado ou “matá-lo” lentamente. É importante prestar atenção ao inchaço e à forma como o corpo tolera os alimentos vegetais, explicou o especialista.
O problema da doença hepática é a ausência prolongada de quaisquer sintomas, por isso é importante verificar regularmente a saúde, fazer ultra-sons e submeter-se à elastografia – um estudo para determinar a percentagem de gordura no órgão. Se for detectada alguma doença, na maior parte dos casos é tratável – a probabilidade de recuperação em seis meses de terapia é de 50-100%.
“Ou seja, no prazo de um ano podemos recuperar totalmente o estado do fígado, se não tivermos ultrapassado o ponto de não retorno”, conclui o médico.

